Universo Particular
Diário particular e universal dos meus pensamentos e inquietações.
quarta-feira, 22 de maio de 2013
segunda-feira, 20 de maio de 2013
Vem, Noite
Vem, Noite antiquíssima e idêntica,
Noite Rainha nascida destronada,
Noite igual por dentro ao silêncio. Noite
Com as estrelas lantejoulas rápidas
No teu vestido franjado de Infinito.
Vem, vagamente,
Vem, levemente,
Vem sozinha, solene, com as mãos caídas
Ao teu lado, vem
E traz os montes longínquos para o pé das árvores próximas.
Funde num campo teu todos os campos que vejo,
Faze da montanha um bloco só do teu corpo,
Apaga-lhe todas as diferenças que de longe vejo.
Todas as estradas que a sobem,
Todas as várias árvores que a fazem verde-escuro ao longe.
Todas as casas brancas e com fumo entre as árvores,
E deixa só uma luz e outra luz e mais outra,
Na distância imprecisa e vagamente perturbadora.
Na distância subitamente impossível de percorrer.
Nossa Senhora
Das coisas impossíveis que procuramos em vão,
Dos sonhos que vêm ter connosco ao crepúsculo, à janela.
Dos propósitos que nos acariciam
Nos grandes terraços dos hotéis cosmopolitas
Ao som europeu das músicas e das vozes longe e perto.
E que doem por sabermos que nunca os realizaremos...
Vem, e embala-nos,
Vem e afaga-nos.
Beija-nos silenciosamente na fronte,
Tão levemente na fronte que não saibamos que nos beijam
Senão por uma diferença na alma.
E um vago soluço partindo melodiosamente
Do antiquíssimo de nós
Onde têm raiz todas essas árvores de maravilha
Cujos frutos são os sonhos que afagamos e amamos
Porque os sabemos fora de relação com o que há na vida.
Vem soleníssima,
Soleníssima e cheia
De uma oculta vontade de soluçar,
Talvez porque a alma é grande e a vida pequena.
E todos os gestos não saem do nosso corpo
E só alcançamos onde o nosso braço chega,
E só vemos até onde chega o nosso olhar.
Vem, dolorosa,
Mater-Dolorosa das Angústias dos Tímidos,
Turris-Eburnea das Tristezas dos Desprezados,
Mão fresca sobre a testa em febre dos humildes.
Sabor de água sobre os lábios secos dos Cansados.
Vem, lá do fundo
Do horizonte lívido,
Vem e arranca-me
Do solo de angústia e de inutilidade
Onde vicejo.
Apanha-me do meu solo, malmequer esquecido,
Folha a folha lê em mim não sei que sina
E desfolha-me para teu agrado,
Para teu agrado silencioso e fresco.
Uma folha de mim lança para o Norte,
Onde estão as cidades de Hoje que eu tanto amei;
Outra folha de mim lança para o Sul,
Onde estão os mares que os Navegadores abriram;
Outra folha minha atira ao Ocidente,
Onde arde ao rubro tudo o que talvez seja o Futuro,
Que eu sem conhecer adoro;
E a outra, as outras, o resto de mim
Atira ao Oriente,
Ao Oriente donde vem tudo, o dia e a fé,
Ao Oriente pomposo e fanático e quente,
Ao Oriente excessivo que eu nunca verei,
Ao Oriente budista, bramânico, sintoísta,
Ao Oriente que tudo o que nós não temos.
Que tudo o que nós não somos,
Ao Oriente onde — quem sabe? — Cristo talvez ainda hoje viva,
Onde Deus talvez exista realmente e mandando tudo...
Vem sobre os mares,
Sobre os mares maiores,
Sobre os mares sem horizontes precisos,
Vem e passa a mão pelo dorso da fera,
E acalma-o misteriosamente,
Ó domadora hipnótica das coisas que se agitam muito!
Vem, cuidadosa,
Vem, maternal,
Pé antepé enfermeira antiquíssima, que te sentaste
À cabeceira dos deuses das fés já perdidas,
E que viste nascer Jeová e Júpiter,
E sorriste porque tudo te é falso e inútil.
Vem, Noite silenciosa e extática,
Vem envolver na noite manto branco
O meu coração...
Serenamente como uma brisa na tarde leve,
Tranquilamente com um gesto materno afagando.
Com as estrelas luzindo nas tuas mãos
E a lua máscara misteriosa sobre a tua face.
Todos os sons soam de outra maneira
Quando tu vens.
Quando tu entras baixam todas as vozes,
Ninguém te vê entrar.
Ninguém sabe quando entraste,
Senão de repente, vendo que tudo se recolhe,
Que tudo perde as arestas e as cores,
E que no alto céu ainda claramente azul
Já crescente nítido, ou círculo branco, ou mera luz nova que vem,
A lua começa a ser real.
30-6-1914
“Dois Excertos de Odes (Fins de duas odes, naturalmente)”.
Poesias de Álvaro de Campos. Fernando Pessoa. Lisboa: Ática, 1944 (imp. 1993).
- 155.
1ª publ. in Revista de Portugal, nº4. Lisboa: Jul. 1938.
segunda-feira, 13 de agosto de 2012
Nós Estamos Aqui: O Pálido Ponto Azul
A espaçonave estava bem longe de casa. Eu pensei que seria uma boa idéia, logo depois de Saturno fazê-la dar uma ultima olhada em direção de casa.
De saturno, a Terra apareceria muito pequena para a Voyager apanhar qualquer detalhe, nosso planeta seria apenas um ponto de luz, um "pixel" solitário, dificilmente distinguível de muitos outros pontos de luz que a Voyager avistaria: Planetas vizinhos, sóis distantes. Mas justamente por causa dessa imprecisão de nosso mundo assim revelado valeria a pena ter tal fotografia.
Já havia sido bem entendido por cientistas e filósofos da antiguidade clássica, que a Terra era um mero ponto de luz em um vasto cosmos circundante, mas ninguém jamais a tinha visto assim. Aqui estava nossa primeira chance, e talvez a nossa última nas próximas décadas.
Então, aqui está - um mosaico quadriculado estendido em cima dos planetas, e um fundo pontilhado de estrelas distantes. Por causa do reflexo da luz do sol na espaçonave, a Terra parece estar apoiada em um raio de sol. Como se houvesse alguma importância especial para esse pequeno mundo, mas é apenas um acidente de geometria e ótica. Não há nenhum sinal de humanos nessa foto. Nem nossas modificações da superfície da Terra, nem nossas máquinas, nem nós mesmos. Desse ponto de vista, nossa obsessão com nacionalismo não aparece em evidencia. Nós somos muito pequenos. Na escala dos mundos, humanos são irrelevantes, uma fina película de vida num obscuro e solitário torrão de rocha e metal.
Considere novamente esse ponto. É aqui. É nosso lar. Somos nós. Nele, todos que você ama, todos que você conhece, todos de quem você já ouviu falar, todo ser humano que já existiu, viveram suas vidas. A totalidade de nossas alegrias e sofrimentos, milhares de religiões, ideologias e doutrinas econômicas, cada caçador e saqueador, cada herói e covarde, cada criador e destruidor da civilização, cada rei e plebeu, cada casal apaixonado, cada mãe e pai, cada crianças esperançosas, inventores e exploradores, cada educador, cada político corrupto, cada "superstar", cada "lidere supremo", cada santo e pecador na história da nossa espécie viveu ali, em um grão de poeira suspenso em um raio de sol.
A Terra é um palco muito pequeno em uma imensa arena cósmica. Pense nas infindáveis crueldades infringidas pelos habitantes de um canto desse pixel, nos quase imperceptíveis habitantes de um outro canto, o quão freqüentemente seus mal-entendidos, o quanto sua ânsia por se matarem, e o quão fervorosamente eles se odeiam. Pense nos rios de sangue derramados por todos aqueles generais e imperadores, para que, em sua gloria e triunfo, eles pudessem se tornar os mestres momentâneos de uma fração de um ponto. Nossas atitudes, nossa imaginaria auto-importancia, a ilusão de que temos uma posição privilegiada no Universo, é desafiada por esse pálido ponto de luz.
Nosso planeta é um espécime solitário na grande e envolvente escuridão cósmica. Na nossa obscuridade, em toda essa vastidão, não ha nenhum indicio que ajuda possa vir de outro lugar para nos salvar de nos mesmos. A Terra é o único mundo conhecido até agora que sustenta vida. Não ha lugar nenhum, pelo menos no futuro próximo, no qual nossa espécie possa migrar. Visitar, talvez, se estabelecer, ainda não. Goste ou não, por enquanto, a terra é onde estamos estabelecidos.
Foi dito que a astronomia é uma experiência que traz humildade e constrói o caráter. Talvez, não haja melhor demonstração das tolices e vaidades humanas que essa imagem distante do nosso pequeno mundo. Ela enfatiza nossa responsabilidade de tratarmos melhor uns aos outros, e de preservar e estimar o único lar que nós conhecemos... O pálido ponto azul.
Nós Estamos Aqui: O Pálido Ponto Azul
Carl Sagan
sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012
sábado, 28 de maio de 2011
quarta-feira, 25 de maio de 2011
domingo, 24 de outubro de 2010
quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Aniversário
Fernando Pessoa
(Álvaro de Campos)
No TEMPO em que festejavam o dia dos meus anos,
Eu era feliz e ninguém estava morto.
Na casa antiga, até eu fazer anos era uma tradição de há séculos,
E a alegria de todos, e a minha, estava certa com uma religião qualquer.
No TEMPO em que festejavam o dia dos meus anos,
Eu tinha a grande saúde de não perceber coisa nenhuma,
De ser inteligente para entre a família,
E de não ter as esperanças que os outros tinham por mim.
Quando vim a ter esperanças, já não sabia ter esperanças.
Quando vim a olhar para a vida, perdera o sentido da vida.
Sim, o que fui de suposto a mim-mesmo,
O que fui de coração e parentesco.
O que fui de serões de meia-província,
O que fui de amarem-me e eu ser menino,
O que fui — ai, meu Deus!, o que só hoje sei que fui...
A que distância!...
(Nem o acho...)
O tempo em que festejavam o dia dos meus anos!
O que eu sou hoje é como a umidade no corredor do fim da casa,
Pondo grelado nas paredes...
O que eu sou hoje (e a casa dos que me amaram treme através das minhas
lágrimas),
O que eu sou hoje é terem vendido a casa,
É terem morrido todos,
É estar eu sobrevivente a mim-mesmo como um fósforo frio...
No tempo em que festejavam o dia dos meus anos...
Que meu amor, como uma pessoa, esse tempo!
Desejo físico da alma de se encontrar ali outra vez,
Por uma viagem metafísica e carnal,
Com uma dualidade de eu para mim...
Comer o passado como pão de fome, sem tempo de manteiga nos dentes!
Vejo tudo outra vez com uma nitidez que me cega para o que há aqui...
A mesa posta com mais lugares, com melhores desenhos na loiça, com mais copos,
O aparador com muitas coisas — doces, frutas o resto na sombra debaixo do alçado —,
As tias velhas, os primos diferentes, e tudo era por minha causa,
No tempo em que festejavam o dia dos meus anos...
Pára, meu coração!
Não penses! Deixa o pensar na cabeça!
Ó meu Deus, meu Deus, meu Deus!
Hoje já não faço anos.
Duro.
Somam-se-me dias.
Serei velho quando o for.
Mais nada.
Raiva de não ter trazido o passado roubado na algibeira!...
O tempo em que festejavam o dia dos meus anos!...
quarta-feira, 25 de agosto de 2010
terça-feira, 20 de julho de 2010
S2

Quem tem dois corações
Me faça presente de um
Que eu já fui dono de dois
E já não tenho nenhum
Dá-me beijos, dá-me tantos
Que enleado em teus encantos
Preso nos abraços teus
Eu não sinta a própria vida
Nem minh’alma ave perdida
No azul amor dos teus céus
Botão de rosa menina
Carinhosa, pequenina
Corpinho de tentação
Vem morar na minha vida
Dá em ti terna guarida
Ao meu pobre coração
Quando passo um dia inteiro
Sem ver o meu amorzinho
Cobre-me um frio de janeiro
No junho do meu carinho.
Fernando Pessoa
terça-feira, 13 de julho de 2010
Dia 13 de Julho
sábado, 10 de julho de 2010
sexta-feira, 18 de junho de 2010
Desencanto

Todos os dias desaparecem espécies animais e vegetais, idiomas, ofícios.
Os ricos são cada vez mais ricos e os pobres cada vez mais pobres.
Cada dia há uma minoria que sabe mais e uma minoria que sabe menos.
A ignorância expande-se de forma aterradora.
Temos um gravíssimo problema na redistribuição da riqueza.
A exploração chegou a requintes diabólicos. As multinacionais dominam o mundo.
Não sei se são as sombras ou as imagens que nos ocultam a realidade.
Podemos discutir sobre o tema infinitamente, o certo é que perdemos capacidade crítica para analisar o que se passa no mundo. Daí que pareça que estamos encerrados na caverna de Platão. Abandonamos a nossa responsabilidade de pensar, de actuar.
Convertemo-nos em seres inertes sem a capacidade de indignação, de inconformismo e de protesto que nos caracterizou durante muitos anos.
Estamos a chegar ao fim de uma civilização e não gosto da que se anuncia.
O neo-liberalismo, em minha opinião, é um novo totalitarismo disfarçado de democracia, da qual não mantém mais que as aparências. O centro comercial é o símbolo desse novo mundo.
Mas há outro pequeno mundo que desaparece, o das pequenas indústrias e do artesanato.
Está claro que tudo tem de morrer, mas há gente que, enquanto vive, tem a construir a sua própria felicidade, e esses são eliminados. Perdem a batalha pela sobrevivência, não suportaram viver segundo as regras do sistema.
Vão-se como vencidos, mas com a dignidade intacta, simplesmente dizendo que se retiram porque não querem este mundo.
José Saramago (Azinhaga, Golegã, 16 de Novembro de 1922 - Lanzarote, 18 de Junho de 2010)

"Não sou um ateu total, todos os dias tento encontrar um sinal de Deus, mas infelizmente não o encontro."
"Dentro de nós há uma coisa que não tem nome, essa coisa é o que somos."
"Fisicamente, habitamos um espaço, mas, sentimentalmente, somos habitados por uma memória."
"Mesmo que a rota da minha vida me conduza a uma estrela, nem por isso fui dispensado de percorrer os caminhos do mundo."
"Se tens um coração de ferro, bom proveito.
O meu, fizeram-no de carne, e sangra todo dia."
"Química
Sublimemos, amor. Assim as flores
No jardim não morreram se o perfume
No cristal da essência se defende.
Passemos nós as provas, os ardores:
Não caldeiam instintos sem o lume
Nem o secreto aroma que rescende."
"Há esperanças que é loucura ter. Pois eu digo-te que se não fossem essas já eu teria desistido da vida."
"Vá cada um aonde possa seus próprios meios: guias e gurus são más companhias."
"Todos sabemos que cada dia que nasce é o primeiro para uns e será o último para outros e que, para a maioria, é so um dia mais."
Adeus José Saramago.
Allan Delon
domingo, 14 de março de 2010
Vozes nietzscheanas...
Reza uma antiga lenda grega que o rei Midas perseguiu na floresta, durante longo tempo, sem conseguir capturá-lo, o sábio Sileno preceptor e servidor do deus Dioniso. Quando por fim, ele veio a cair em suas mãos, perguntou-lhe o rei qual dentre todas as coisas era a melhor e o mais preferível para o homem. Obstinado e imóvel, Sileno calava-se; até que, forçado pelo rei, prorrompeu finalmente, por entre um riso amarelo, nestas palavras:
"Estirpe miserável e efêmera, filhos do acaso e do tormento! Por que me obrigas a dizer-te o que seria para ti mais salutar não ouvir? O melhor de tudo é para ti inteiramente inatingível: não ter nascido, não ser, nada ser. Depois disso, porém, o melhor para ti é logo morrer." (Nietzsche, 1872).
sexta-feira, 22 de janeiro de 2010
Abraços Partidos


O que faz um filme ser arte e outro apenas técnica?
O que faz com que você entre em uma historia de forma tão completa que você se sente mal quando o filme acaba? Fica uma sensação incomoda, de abandono, como se fossemos abandonados pelo filme, quando ele acaba.
Partes dele vem conosco, para sempre.
Outras pequenas partes são lembradas perfeitamente mas no geral, a maioria das cenas caem no esquecimento.
Mas, em mim, particularmente, alguma coisa muda, alguma coisa fica, alguma coisa sai comigo do cinema, pega o ónibus e vai para minha casa. Em meus pensamentos, sempre que assisto um bom filme isso acontece e é assim que eu sei que um filme é bom ou não (lembrando que não sou nenhum crítico, nem quero ser), é assim que eu diferencio uma obra de arte de uma obra da técnica.
Vou falar o por que eu estou escrevendo sobre isso.
O penúltimo filme que eu assisti no cinema foi Avatar. Um enlatado de pai e mãe, legitimo produto de todas as tecnologias que o cinema desenvolveu. Um filme com enredo tão fraco e repetitivo que eu não sabia se estava assistindo, Alien, O Último Samurai, Matrix, Pocahontas ou Titanic. Por incrível que pareça, eu vi em Avatar, não só referencias podres, mas praticamente elementos copiadas de todos estes filmes, TODOS, entre outros que eu nem lembro do nome, nem faço nenhuma questão de lembrar.
Avatar me fez ficar na cadeira do cinema mais pelos efeitos especiais realmente surpreendentes do que pela atuação dos atores, na verdade não vi atuação =/ o filme é um grande vídeo game (e eu sou apaixonado por games), um espetáculo de luzes, é o supra sumo da técnica em prol de um show de clichés. Mas por incrível que pareça, como algo para se distrair mesmo, sem a menor pretensão é um filme bom, para domingo a tarde, no lugar do Domingão! Parabéns James Cameron, tirou o lugar do Faustão.
O último filme que eu assistir (e isso foi hoje, acabei de voltar do cinema rssss) foi Abraços Partidos, de Pedro Almodóvar. Vou retomar a pergunta que eu fiz no começo:
O que faz um filme ser arte e outro apenas técnica?
Se alguém souber me fale, por favor. Eu ainda não sei, mas percebo a diferença brutal que há entre Abraços Partidos e Avatar (estou trazendo estes dois p o debate só para ilustrar, poderia citar vários outros). Mas há uma distancia intransponível entre estes dois filmes, não só pelo fato de um ser fruto do milagre de Hollywood e o outro de um diretor que faz milagres. NÃO SÓ ISSO.
Existe alguma coisa nos filmes de Almodóvar que me trazem uma sensação que só tenho nos filme de Almodóvar.
Algo que me faz entrar no filme, sentir-me um participante da historia.
Algo que eu não sei dizer o que é, mas que eu identifico como arte.
Almodóvar sempre traz boas surpresas para os seus fãs, e Abraços Partidos é o caso.
Como em um único filme, nos podemos nós sensibilizar com uma historia deficil, entrelaçada, que por vezes beira o inverossímil e conseguir trazendo das profundezas das lembranças frustradas dos personagens o que há de verdadeiro e sensível nas lembranças frustradas do próprio público espectador? (Eu no caso)
Como pode estar perdido em uma historia sem entender quase nada, rir com situações engraçadíssimas, comover-se ao ponto de deixar uma pequena lágrima cair, se surpreender com os acontecimentos e por final chegar a uma sensação de alívio, graça, reparação, uma verdadeira catarse? Demoro muito para sentir isso e não é com qualquer filme se sinto, cada dia que passa, na verdade estou ficando muito mais chato para assistir filmes, muito mais seletivo. Sem contar o fato que só gosto de ir ao cinema sozinho, acho que só aproveito completamente o filme estando só, sem ninguém para perguntar o que aconteceu, ninguém para pedir que eu explique qualquer coisa ou ninguém para dizer no final do filme que não gostou, eu mesmo digo isso dos filmes que eu não gosto, não preciso de ajuda (ainda rsrsrs). Falar sobre filmes comigo é como falar do futebol com um corinthiano (achei a metáfora péssima, mas vou deixa-la aqui mesmo rs).
Lembrando que, isso tudo é muito pessoal, é uma questão de gosto, de percepção, não estou aqui querendo dizer o que é bom ou ruim, muito menos quero dizer o que é arte, só estou escrevendo sobre o que me agrada e sobre o que não me agrada, sobre filmes, SÓ ISSO!
Não sei o que escrever mais, estava eu no ponto de ónibus, pensando em escrever algumas coisas sobre o filme que tinha acabado de assistir e aqui estou escrevendo. Um amigo me falou que a gente começa a virar blogueiro quando fica assim, pensando em passar para o blog tudo que esta se passado com a gente.
Bom, abraços para os que leram :)

O que faz com que você entre em uma historia de forma tão completa que você se sente mal quando o filme acaba? Fica uma sensação incomoda, de abandono, como se fossemos abandonados pelo filme, quando ele acaba.
Partes dele vem conosco, para sempre.
Outras pequenas partes são lembradas perfeitamente mas no geral, a maioria das cenas caem no esquecimento.
Mas, em mim, particularmente, alguma coisa muda, alguma coisa fica, alguma coisa sai comigo do cinema, pega o ónibus e vai para minha casa. Em meus pensamentos, sempre que assisto um bom filme isso acontece e é assim que eu sei que um filme é bom ou não (lembrando que não sou nenhum crítico, nem quero ser), é assim que eu diferencio uma obra de arte de uma obra da técnica.
Vou falar o por que eu estou escrevendo sobre isso.
O penúltimo filme que eu assisti no cinema foi Avatar. Um enlatado de pai e mãe, legitimo produto de todas as tecnologias que o cinema desenvolveu. Um filme com enredo tão fraco e repetitivo que eu não sabia se estava assistindo, Alien, O Último Samurai, Matrix, Pocahontas ou Titanic. Por incrível que pareça, eu vi em Avatar, não só referencias podres, mas praticamente elementos copiadas de todos estes filmes, TODOS, entre outros que eu nem lembro do nome, nem faço nenhuma questão de lembrar.
Avatar me fez ficar na cadeira do cinema mais pelos efeitos especiais realmente surpreendentes do que pela atuação dos atores, na verdade não vi atuação =/ o filme é um grande vídeo game (e eu sou apaixonado por games), um espetáculo de luzes, é o supra sumo da técnica em prol de um show de clichés. Mas por incrível que pareça, como algo para se distrair mesmo, sem a menor pretensão é um filme bom, para domingo a tarde, no lugar do Domingão! Parabéns James Cameron, tirou o lugar do Faustão.
O último filme que eu assistir (e isso foi hoje, acabei de voltar do cinema rssss) foi Abraços Partidos, de Pedro Almodóvar. Vou retomar a pergunta que eu fiz no começo:
O que faz um filme ser arte e outro apenas técnica?
Se alguém souber me fale, por favor. Eu ainda não sei, mas percebo a diferença brutal que há entre Abraços Partidos e Avatar (estou trazendo estes dois p o debate só para ilustrar, poderia citar vários outros). Mas há uma distancia intransponível entre estes dois filmes, não só pelo fato de um ser fruto do milagre de Hollywood e o outro de um diretor que faz milagres. NÃO SÓ ISSO.
Existe alguma coisa nos filmes de Almodóvar que me trazem uma sensação que só tenho nos filme de Almodóvar.Algo que me faz entrar no filme, sentir-me um participante da historia.
Algo que eu não sei dizer o que é, mas que eu identifico como arte.
Almodóvar sempre traz boas surpresas para os seus fãs, e Abraços Partidos é o caso.
Como em um único filme, nos podemos nós sensibilizar com uma historia deficil, entrelaçada, que por vezes beira o inverossímil e conseguir trazendo das profundezas das lembranças frustradas dos personagens o que há de verdadeiro e sensível nas lembranças frustradas do próprio público espectador? (Eu no caso)
Como pode estar perdido em uma historia sem entender quase nada, rir com situações engraçadíssimas, comover-se ao ponto de deixar uma pequena lágrima cair, se surpreender com os acontecimentos e por final chegar a uma sensação de alívio, graça, reparação, uma verdadeira catarse? Demoro muito para sentir isso e não é com qualquer filme se sinto, cada dia que passa, na verdade estou ficando muito mais chato para assistir filmes, muito mais seletivo. Sem contar o fato que só gosto de ir ao cinema sozinho, acho que só aproveito completamente o filme estando só, sem ninguém para perguntar o que aconteceu, ninguém para pedir que eu explique qualquer coisa ou ninguém para dizer no final do filme que não gostou, eu mesmo digo isso dos filmes que eu não gosto, não preciso de ajuda (ainda rsrsrs). Falar sobre filmes comigo é como falar do futebol com um corinthiano (achei a metáfora péssima, mas vou deixa-la aqui mesmo rs).
Lembrando que, isso tudo é muito pessoal, é uma questão de gosto, de percepção, não estou aqui querendo dizer o que é bom ou ruim, muito menos quero dizer o que é arte, só estou escrevendo sobre o que me agrada e sobre o que não me agrada, sobre filmes, SÓ ISSO!
Não sei o que escrever mais, estava eu no ponto de ónibus, pensando em escrever algumas coisas sobre o filme que tinha acabado de assistir e aqui estou escrevendo. Um amigo me falou que a gente começa a virar blogueiro quando fica assim, pensando em passar para o blog tudo que esta se passado com a gente.
Bom, abraços para os que leram :)

Assinar:
Comentários (Atom)




















