Reza uma antiga lenda grega que o rei Midas perseguiu na floresta, durante longo tempo, sem conseguir capturá-lo, o sábio Sileno preceptor e servidor do deus Dioniso. Quando por fim, ele veio a cair em suas mãos, perguntou-lhe o rei qual dentre todas as coisas era a melhor e o mais preferível para o homem. Obstinado e imóvel, Sileno calava-se; até que, forçado pelo rei, prorrompeu finalmente, por entre um riso amarelo, nestas palavras:
"Estirpe miserável e efêmera, filhos do acaso e do tormento! Por que me obrigas a dizer-te o que seria para ti mais salutar não ouvir? O melhor de tudo é para ti inteiramente inatingível: não ter nascido, não ser, nada ser. Depois disso, porém, o melhor para ti é logo morrer." (Nietzsche, 1872).
Se perguntarmos a muitas pessoas diferentes, mas nomeadamente a pessoas com muitos problemas, se preferiam não ter nascido, muito poucas responderão que preferiam não ter nascido. E muito poucos escolhem morrer depressa. A opinião de Sileno carece pois de apoio empírico.
ResponderExcluirSe fores basear-se em dados estatísticos, talvez tenhas razão, mas no contexto que Nietzsche utiliza a narrativa não. Nietzsche busca de mostrar, de forma metafórica, através do mito, que o Rei Midas ocupa a mesma posição dos filósofos, a partir de Sócrates, sempre tentando apreender a verdade sobre a vida e o bem viver com o exercício da razão, conceituando a vida e tudo o que é preciso para se viver e esquecendo subseqüentemente de aproveitar a vida, como Nietzsche diz: de uma forma estética. Sileno e a voz da própria natureza, que diz: homem, por que insiste em buscar uma verdade que nunca ira encontrar? Ao perceberem que seu projeto de vida e de civilização não tem nenhum sentido, desejaram não ter nascido... Lembrando que Nietzsche não acredita que a razão dará ao homem as respostas que o homem tanto quer, e mais, foi com a utilização da razão que a filosofia grega antiga começou a degenerar, ai entram algumas questões como a do Apolíneo e do Dionisíaco, justificativa estética da realidade, obrigado pelo seu comentário.
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